Brasileiro cria looks para o metaverso da Fashion Week de Londres; confira

A London Fashion Week, que acontece na capital do Reino Unido, pode ter sofrido o impacto da morte da rainha (alguns desfiles foram remarcados), mas segue firme. Com uma novidade: QR codes espalhados em tokens de metal reciclado ou outdoors espalhados pela cidade dão acesso a espaços do show no metaverso.

A ideia é demonstrar compromisso com a sustentabilidade e apresentar as possibilidades oferecidas pela Web 3.

Um dos participantes no desfile virtual é o fotógrafo brasileiro Jacques Dequeker. Neste domingo (18), seu projeto DQK3R M3T4 STUDIO, em parceria com a casa de moda digital Hõl, apresenta uma coleção 100% 3D, promovendo a imersão dos espectadores em uma realidade futurística. O resultado pode ser conferido neste link.

Por email, conversamos com Jacques:

Você está apresentando três looks para avatares. O que exatamente, esses avatares podem trazer à indústria da moda?

Jacques Dequeker: Minha empresa desenvolve avatares para o mundo fashion, tanto de pessoas reais quanto personagens que só existem no metamundo, para serem usadas por marcas em campanhas.

Na Fashion Week de Londres, tive a parceria da @hol.studio para criar looks para uma das “modelos”, @3va.dqk3r. As marcas internacionais mergulharam no metaverso e no uso de avatares em suas campanhas, e esta febre vem ganhando força no Brasil. Abre-se um novo caminho de comunicação.

A moda nos últimos tempos tem quebrado muitas barreiras. Há até moda não-moda, que aposta na reutilização de tecidos e vestimentas, a partir da preocupação com a sustentabilidade. Isso não faz sentido no metatarso, onde pode tudo, já que não há produto físico envolvido? Assim, em que medida faz sentido falar de sustentabilidade?

Jacques Dequeker: No sentido de educar, alertar e inspirar, acredito que pode-se falar em sustentabilidade neste mundo novo que chegou com força total.

E como toda novidade vai ter seu momento de admiração, é neste momento que os bons princípios devem ser valorizados.

Avatar com moda digital criada pelo fotógrafo Jacques Dequeker e casa de moda digital Hõl para a London Fashion Week - Divulgação/DQK3R M3T4 STUDIO - Divulgação/DQK3R M3T4 STUDIO

Imagem: Divulgação/DQK3R M3T4 STUDIO

Os avatares que aparecem nos desenhos têm pernas. Mas parte dos que existem (no metatarso da Meta, por exemplo) não tem. Pernas pra que te quero?

Jacques Dequeker: A tecnologia está evoluindo muito rápido, os avatares estão ficando cada vez mais realistas e hoje, já se confundem com os seres humanos. Já conseguimos fazer os avatares andar, dançar e falar.

Em relação às suas formas, cada artista escolhe sua estética.

Ainda tem uma questão técnica para todos avatares se integrarem, mas isto vem evoluindo muito rápido. Hoje me exercito diariamente com óculos de realidade virtual, e é impressionante o nível de treinamento que se tem tanto na parte aeróbica quanto de relaxamento.

Existe exclusividade na moda dentro do metaverso ou tudo se copia?

Jacques Dequeker: A questão da cópia ainda é muito complexa como, por exemplo, um escâner pode fazer uma bolsa real em minutos. Acredito que aos poucos surgirão regras mais duras para proteger os criadores e suas marcas.

No meu caso, crio avatares, e sempre parto de um manequim base, sem rosto, e vou trabalhando e esculpindo de acordo com a imagem que pretendo realizar.

Moda não é só roupa, é um conjunto de símbolos que dizem muito sobre quem usa. Como a moda traduz ou é traduzida pelas relações que se estabelecem no metaverso?

Jacques Dequeker: Depois de tanto tempo sem grandes acontecimentos criativos na moda (onde tudo ficou padronizado, todas as marcas bebendo da mesma fonte), chegou o momento da liberdade criativa, onde as marcas irão usar estas novas ferramentas digitais para se diferenciarem uma das outras e voltarem a procurar seu espaço. Elas poderão criar sem se preocupar com o valor, e sim com o conceito. E isto é maravilhoso!.

A medida que este mundo for acessível a todos, entenderemos que o metaverso chegou.

Para algumas marcas ainda pode ser um sonho distante, mas já temos pesquisas que apontam a quantidade de tempo que as pessoas gastam acessando as redes sociais.

Olhando um pouco para anos anteriores, percebo que tive a honra de fazer a primeira campanha no Brasil com “blogueiras”, que ainda eram chamadas assim, e ninguém apostava que elas aconteceriam. Hoje ditam a moda nas redes sociais, além de serem chamadas para todos os eventos ao redor do mundo.

Avatar com moda digital criada pelo fotógrafo Jacques Dequeker e casa de moda digital Hõl para a London Fashion Week - Divulgação/DQK3R M3T4 STUDIO - Divulgação/DQK3R M3T4 STUDIO

Imagem: Divulgação/DQK3R M3T4 STUDIO

Quais são as principais dificuldades que os designers de moda enfrentam ao trabalhar com avatares?

Jacques Dequeker: Pessoas especializadas com conhecimento de moda. Mas acredito que no próximo ano será muito mais fácil conseguir montar uma equipe forte.

Quais são os principais benefícios de se trabalhar com avatares?

Jacques Dequeker: Acredito que testar antes de realizar na vida real.Minha mulher tem uma marca de roupa. Estamos fazendo a campanha primeiro no metaverso e depois ela vem para o mundo real. A ideia é vender nos dois mundos.

Outro beneficio é que posso colocar meus avatares em Paris, ou na lua, sem sair de casa.

Como você enxerga o mercado de moda digital no Brasil, atualmente? Você acha que o cenário está evoluindo?

Jacques Dequeker: Estou descobrindo este mercado, mas estudo diariamente. O meu foco é moda e, por isto, ainda vejo tudo iniciando. Mas tem muita gente se interessando por avatares, e as marcas estão abrindo os olhos para isto.

Acredito que o Brasil, daqui a dois ou três anos, será uma potência na moda digital, como já é no mundo dos games, onde tem muito brasileiro envolvido.

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